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Governo intensifica negociações com os EUA para tentar evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Ricardo Stuckert

O governo brasileiro deve ampliar, na próxima semana, as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação da tarifa de 25% anunciada pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Segundo informações divulgadas pelo governo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, devem participar de uma videoconferência com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A data da reunião ainda não foi confirmada.

As conversas acontecem após a criação de um grupo de trabalho formado pelos dois países, resultado de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio, na Casa Branca.

Embora o prazo inicial de um mês para os trabalhos termine neste domingo (7), as equipes devem continuar negociando até 15 de julho, data prevista para o início da cobrança das tarifas, caso não haja acordo.

Na segunda-feira (1º), o USTR propôs uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Entre as justificativas apresentadas pelo órgão estão alegações de práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, incluindo tarifas classificadas como desleais, o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas ao combate à corrupção, desmatamento e barreiras ao etanol dos Estados Unidos.

Já na terça-feira (2), o governo americano apresentou uma segunda proposta tarifária, de 12,5%, direcionada a mais de 60 países, incluindo o Brasil. Nesse caso, a justificativa foi a avaliação de supostas falhas na fiscalização e no combate à comercialização de produtos oriundos de trabalho forçado.

Integrantes do governo brasileiro avaliam que há maior possibilidade de negociação em relação à tarifa de 25%, voltada especificamente ao Brasil. A sobretaxa de 12,5%, aplicada a dezenas de países, é considerada mais difícil de ser revertida.

A expectativa é que as tratativas possam resultar na suspensão ou no adiamento da tarifa mais elevada enquanto as negociações continuam.

Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a estratégia brasileira está concentrada nas questões comerciais e tarifárias. O governo também sinaliza que não pretende discutir o sistema Pix nas negociações, tema que o presidente Lula já classificou como inegociável.