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Carta de Bolsonaro é novo episódio da disputa na família; relembre histórico da crise envolvendo Michelle

Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

A divulgação neste sábado (11) da carta na qual Jair Bolsonaro (PL) diz que seu filho Flávio Bolsonaro (PL) é seu candidato à Presidência e “porta-voz” é mais um capítulo de um racha interno na família, intensificado nas últimas semanas.
O vídeo em que Flávio lê a carta é uma resposta à recente crise criada pela declaração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) de que foi maltratada pelo enteado após discordar da aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato a governador do Ceará.
Relembre a cronologia das últimas brigas no clã Bolsonaro:
CARTA DE JAIR
Neste sábado, Flávio Bolsonaro leu em suas redes sociais uma carta escrita pelo pai. No texto, Bolsonaro afirma que o filho é seu pré-candidato e o cenário político atual exige uma postura ativa e unida de seus apoiadores.
Durante a leitura, Flávio destacou que a nomeação como porta-voz é um passo fundamental para evitar “falas conflituosas ou direções diferentes” dentro da direita.
Bolsonaro está preso desde agosto de 2025. Por quatro meses, ficou em regime fechado. Desde março, está detido em casa, com restrição de visitas. Também está proibido de se manifestar em redes sociais, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
INDIRETA EM EVENTO
Em ato político com a presença de Flávio Bolsonaro no Ceará, na sexta-feira (11), o deputado federal André Fernandes (PL) deu indireta para a ex-primeira-dama.
“Que saudade eu tenho do nosso presidente, eu fico ali olhando o rosto dele. Nosso eterno presidente, nosso galego. Não é de ninguém individual, não, é nosso galego”, afirmou Fernandes, fazendo alusão à forma como Michelle se refere ao ex-presidente.
PL MULHER
No dia 30 de junho, Michelle Bolsonaro conversou com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e acertou sua saída da presidência do PL Mulher. A ex-primeira-dama afirmou que a decisão foi combinada com o marido.
Dias depois, Valdemar decidiu extinguir a presidência nacional do PL Mulher sob a justificativa de que as mulheres arrumam problemas umas com as outras e de que ninguém está à altura da ex-primeira-dama.
“Você já imaginou se a gente coloca uma? Você sabe mulher como é que é, né? Arruma enguiço com 20”, disse.
A equipe de Michelle que atuava no PL Mulher criou posteriormente um perfil para divulgar seus trabalhos, chamado “ImparáveisMB”.
“MULHERES VOTAM MAL”
No último dia 25, o empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado próximo do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e que esteve com Flávio Bolsonaro na visita a Donald Trump na Casa Branca neste ano, disse que mulheres “votam muito mal” –especialmente as solteiras, já que as casadas teriam a tendência de acompanhar os votos dos maridos.
A afirmação foi feita em vídeo no seu canal no YouTube, no qual também disse, em tom crítico, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é feminista. Figueiredo sugeriu ainda que quem ficasse descontente com a sua fala poderia “arrancar os pentelhos das calcinhas”.
Flávio foi a público afirmar que discordava do aliado.
MICHELE X FLÁVIO
No dia 24 de junho, Michelle Bolsonaro publicou vídeos em que afirmou que o enteado Flávio a desrespeitou, maltratou e deixou subentendido que não queria o apoio dela para sua pré-candidatura a presidente da República.
A ex-primeira-dama questionou a aliança do PL com Ciro Gomes, pré-candidato a governador do Ceará, e disse que sofreu ataques por parte dos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Michelle afirmou que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela e não atendeu o telefone. Depois, retornou a ligação de forma ríspida, dizendo que ela deveria ficar de fora das decisões do partido e não entendia nada de política.
O vídeo divulgado foi produzido em um cenário com uma série de símbolos e o discurso mobilizou um repertório que une religião à ideologia conservadora.
Depois da postagem de Michelle, Flávio divulgou uma nota na qual negou ter humilhado a ex-primeira-dama, mas pediu desculpas.
“Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, disse o senador em nota.
Flávio disse que não ofendeu ou teve a intenção de ofender Michelle. “Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”.
ELEIÇÃO PARA O TCU
Flávio Bolsonaro, que havia lançado para uma vaga no TCU (Tribunal de Contas) a deputada Soraya Santos (RJ) como candidata do PL, sob o argumento de que a corte necessitava de mais mulheres, rifou a aliada. Em abril, ele derrubou, em um acordo político, não só a candidatura de Soraya, mas também a de outra mulher, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP).
A ação foi indiretamente criticada por Michelle, que fez publicações de apoio a Soraya. Quando a deputada retirou sua candidatura para atender a Flávio, Michelle postou “Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia!”.
BANANINHA FRITA
Eduardo Bolsonaro intensificou a troca de farpas nas redes sociais ao afirmar que tanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) quanto Michelle Bolsonaro não demonstravam apoio suficiente na pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Em fevereiro, após a cobrança pública do enteado, a ex-primeira-dama publicou uma imagem de rodelas de banana em uma frigideira, preparadas para o marido, que estava então preso na Papudinha. “Ele ama banana frita”, escreveu.
Aliados de Eduardo interpretaram a publicação como um deboche, já que o filho do ex-presidente é pejorativamente chamado de “bananinha”. No dia seguinte, Eduardo repostou um tuíte de um seguidor: “Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país”.
DISPUTA NO CEARÁ
Em dezembro passado, Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, se uniram abertamente contra a madrasta nas redes sociais por posturas que consideraram autoritárias.
Michelle havia participado de evento no qual criticou a aproximação de André Fernandes, presidente do PL no Ceará, com Ciro Gomes, ao lembrar que o ex-presidenciável já chamou Bolsonaro de “ladrão de galinhas”.
Os irmãos, por sua vez, disseram que a aliança foi costurada com o aval do ex-presidente.