
O discurso de grupo e da necessidade de eleger um “time” foi preponderante na convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) no sábado (1º). O evento para homologar as candidaturas de Jerônimo Rodrigues ao governo da Bahia e de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado foi uma festa petista, ainda que as falas tenham tentado dissimular espaços igualitários para os partidos aliados. A sintonia entre os entes federativos, presente desde os primórdios da chegada do PT ao poder na Bahia, mantém-se como a principal aposta para vencer nas urnas em outubro.
Não houve inflamação entre os principais personagens – no máximo, em um Rui Costa que insiste em um discurso semelhante a uma candidatura ao Executivo. Mesmo Jerônimo, que nas pesquisas de opinião enfrenta uma disputa acirrada com ACM Neto (União), teve uma postura combativa esperada. Focou quase que exclusivamente na necessidade de parceria com Luiz Inácio Lula da Silva, para que projetos relevantes da Bahia sejam tocados. O alinhamento político, na avaliação desse grupo, é condição sine qua non para a governabilidade.
No entanto, esse discurso é ligeiramente limitado, visto as sucessivas vitórias da oposição em Salvador. Foi, inclusive, nesse ponto que Lula acabou sendo mais beligerante com os adversários locais. O presidente foi quem atacou a gestão em Salvador, cidade que tratou como exemplo da disparidade de investimentos do prefeito em áreas periféricas. Ele, todavia, optou por não citar nominalmente ACM Neto nem Bruno Reis. Foi um discurso cauteloso, que remeteu à estratégia de não agressão com a oposição registrada em 2022 (será?).
A convenção homologou não apenas os candidatos majoritários, mas também as candidaturas à Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa da Bahia. Aí foi possível perceber uma preocupação recorrente dos discursos. Especialmente para um eventual segundo mandato de Lula, que enfrenta resistências no Congresso Nacional. Deputados federais e senadores conseguem, numa análise bem crua, mais relevante para Lula IV do que eleições locais. E, talvez por isso, tenha havido espaço para enfatizar a necessidade de “time”.
Lula, “Jero”, Wagner e Rui são as apostas para a manutenção da hegemonia petista na Bahia – ainda que o senador Otto Alencar (PSD) também tenha tido o merecido destaque. Os aliados, em segundo e terceiro plano, simulam bem a satisfação. Assim, a esquerda na Bahia vê-se reduzida ao PT. E os petistas seguem com o discurso que já saiu vitorioso há cinco eleições baianas. Em 2026, a dose vai se repetir?


