
O atual vereador de Salvador, Duda Sanches (PSDB), e o ex-prefeito da capital baiana, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto, são os candidatos mais “ricos” registrados no painel de Transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na Bahia. Conforme apuração do Bahia Notícias, com base nos dados disponíveis na plataforma da Corte Eleitoral nesta terça-feira (11), apenas três candidatos a cargos eletivos na Bahia possuem um patrimônio acima dos R$ 50 milhões, sendo eles: Duda Sanches, ACM Neto e Nicolau (PL).
O levantamento realizado pelo BN combinou, com auxílio de inteligência artificial, dois grupos de dados disponibilizados pelo TSE: perfil dos candidatos e informações sobre as declarações de bens. As informações foram validadas pelos repórteres. Os dados foram atualizados pelo painel na segunda-feira (10) e podem ser corrigidos pelos candidatos até o fim do prazo para submissão das candidaturas, às 19h do dia 15 de agosto.
Antes de descrever os principais dados encontrados pela reportagem, é importante destacar alguns dados relevantes acerca dos registros de bens dos candidatos registrados na Bahia. Ainda com relação ao patrimônio dos 20 mais ricos, apenas os três mais bem colocados representam 46% do valor, o equivalente a R$ 275,7 milhões.
Por outro lado, a média de valor em patrimônio dos candidatos baianos – considerando os 1.104 candidatos registrados até o momento – é de R$1,07 milhão por candidato. Confira o ranking completo dos candidatos mais “ricos” da Bahia:
1. Duda Sanches (PSDB) — R$ 140,5 milhões | Candidato a deputado federal:
O postulante mais “rico” da lista é o atual vereador soteropolitano Eduardo Henrique “Duda” Sanches (PSDB). Herdeiro político do ex-deputado estadual Alan Sanches, falecido em janeiro deste ano, Duda busca uma vaga na Câmara dos Deputados, após mais de três mandatos na Câmara Municipal de Salvador (CMS). Segundo a declaração submetida pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seu patrimônio é de R$ 140,51 milhões em bens registrados.
Esse valor corresponde, quase que na totalidade, a uma área agrícola estimada em R$ 140 milhões, chamada “Sítio Ouro Verde”, sem localização exata. A mesma propriedade teve o valor de R$ 140 mil no último pleito declarado, ou seja, a Justiça Eleitoral deverá confirmar o valor até o fim do prazo. Ainda constam R$ 444 mil relativos a 50% de um imóvel, R$ 30 mil em cotas de participação social e R$ 40 mil em conta corrente.
2. ACM Neto (União) — R$ 84,8 milhões | Candidato ao governo da Bahia:
O ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo do estado, Antônio Carlos Magalhães Neto (União), registrou R$ 84,8 milhões em sua declaração de bens no Tribunal Superior Eleitoral. O valor é mais que o dobro do declarado há quatro anos, quando foi candidato ao cargo de governador pela primeira vez. Em seu primeiro pleito para o Palácio de Ondina, Neto registrou uma fortuna de R$ 41,71 milhões.
O patrimônio em bens inclui dois apartamentos — um localizado no bairro da Vitória, em Salvador, no valor de R$ 7,8 milhões, e outro em um condomínio na Península de Maraú, no litoral sul da Bahia, avaliado em R$ 1,04 milhão —, dois veículos que somam R$ 465 mil e dezenas de aplicações e participações em fundos financeiros.
3. Antônio Nicolau Cerqueira (PL) — R$ 50,2 milhões | Candidato a deputado federal:
O candidato a deputado federal Antônio Nicolau Cerqueira, que se apresenta como “Nicolau Agora é Federal” (PL) na urna, é o terceiro candidato mais “rico” do estado. O empresário acumula um patrimônio de R$ 50,2 milhões, sendo que a maior parte, exatamente R$ 50 milhões, é referente a uma área de mineração sem localização divulgada.
Ele ainda declarou um imóvel no valor de R$ 250 mil e um veículo no valor de R$ 30 mil. Esta é a quarta eleição de Nicolau, que já foi candidato a vereador de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, em 2008 pelo PMN; suplente de deputado estadual também pelo PMN em 2010; e candidato a vereador em Camaçari novamente em 2016, pela mesma sigla.
4. Marcos Espinheira (Mobiliza) — R$ 41,1 milhões | 1º suplente de senador:
O candidato à 1ª suplência ao Senado Federal, Marcos Espinheira, aparece em quarto lugar do ranking. O empresário, componente da chapa de Carlos Sodré pelo partido Mobilização Nacional, registrou R$ 41,1 milhões em bens no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O patrimônio inclui quatro terrenos que, juntos, somam R$ 18,967 milhões, além de outras terras nuas, somadas no valor de R$ 6,9 milhões, e quotas ou quinhões de capital que, somadas, equivalem a cerca de R$ 15,2 milhões.
5. Neto Carletto (Avante) — R$ 34,3 milhões | Candidato a deputado federal:
O atual deputado federal e candidato à reeleição, Orlando Sulz de Almeida Neto, conhecido como Neto Carletto (Avante), é o quinto nome da lista, com um patrimônio declarado de R$ 34,3 milhões em bens. O montante representa um crescimento de quase 6.000% em relação ao pleito de 2022, quando o parlamentar, então filiado ao PP, havia informado R$ 591 mil em bens.
O patrimônio é composto por um segmento de participações societárias que ultrapassa R$ 19,2 milhões. Entre elas, chama a atenção uma empresa de participações avaliada em R$ 17,37 milhões. No setor imobiliário, também passou a ter peso relevante no patrimônio do deputado, com a inclusão de um prédio comercial em Porto Seguro avaliado em R$ 7,62 milhões.Ao BN, o deputado Neto Carletto afirmou que todo o aumento patrimonial se deve a uma doação recebida de seus pais nos últimos anos.
6. Dr. Cássio Modesto (MDB) — R$ 30,3 milhões | Candidato a deputado estadual:
O médico Cássio Modesto da Silva, candidato a deputado estadual pelo MDB, registrou R$ 30,3 milhões em bens. O patrimônio é composto, quase em sua totalidade, por uma fazenda orçada em R$ 30 milhões, um terreno de R$ 250 mil em Itabuna e uma casa comercial registrada em R$ 100 mil.
7. Jaques Wagner (PT) — R$ 24,5 milhões | Candidato a senador:
O atual senador e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), declarou um patrimônio de R$ 24,5 milhões no registro eleitoral deste ano, um valor com aumento expressivo desde o último pleito do senador. O item de maior valor na declaração do senador foi um crédito no montante de R$ 13.834.129, decorrente da venda de um imóvel para o Esporte Clube Bahia e para a empresa Lagoons Empreendimentos SPE Ltda.
8. Juiz Ricardo D’Ávila (PL) — R$ 20,5 milhões | Candidato a deputado estadual:
O servidor público estadual Manoel Ricardo D’Ávila (PL) registrou um patrimônio de R$ 20,5 milhões. O patrimônio inclui aplicações financeiras, imóveis e ações em empresas privadas.
9. Robinho (União) — R$ 19,3 milhões | Candidato a deputado federal:
O ex-prefeito de Nova Viçosa e deputado estadual Carlos Robson da Silva, conhecido como Robinho (União), declarou um patrimônio de R$ 19,3 milhões em bens, incluindo R$ 13 milhões em uma participação societária em uma empresa privada e um apartamento de R$ 1,2 milhão em Patamares. Ele é candidato a deputado federal.
10. João Roma (PL) — R$ 17 milhões | Candidato a senador:
O ex-ministro da Cidadania e presidente do Partido Liberal (PL) na Bahia, João Roma, registrou um patrimônio de R$ 17,01 milhões em bens em sua ficha de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Candidato ao Senado Federal, Roma declarou propriedades rurais localizadas em diversos municípios baianos. Entre os destaques estão as participações na Fazenda Mirage, avaliadas em R$ 5,1 milhões no total, e na Fazenda Selma Nunes, em Iraquara, avaliada em R$ 1,62 milhão.
11. Ditinho Avivip (União) — R$ 16,98 milhões | Candidato a deputado estadual:
Empresário no interior do estado, concorre como nome pelo União Brasil, com patrimônio de R$ 16,985 milhões em capital de empresas e algumas propriedades, como sítios e fazendas em Santo Antônio de Jesus e Pedra Branca.
12. Coronel França (PL) — R$ 16,96 milhões | Candidato a deputado federal:
Não eleito para a Prefeitura de Teixeira de Freitas nas eleições de 2024, Ancleto Silva concorre como “Coronel França” mais uma vez às eleições gerais, após também não obter a cadeira principal, terminando como suplente em 2022 na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). O candidato declarou um terreno avaliado em R$ 16 milhões, mais uma casa de R$ 900 mil, um carro e outros bens registrados no TSE.
13. Felipe Duarte (Avante) — R$ 16,1 milhões | Candidato a deputado estadual:
O empresário, conhecido por ser um dos fundadores da UNIFG, concorreu como vice-prefeito de Guanambi, no sudoeste baiano, e não foi eleito, mas foi eleito em 2022 para uma cadeira na AL-BA, com R$ 12 milhões declarados. Em 2026, declarou R$ 16,15 milhões. Declarou R$ 8 milhões em espécie em sua casa, R$ 900 mil em cabeças de gado e uma casa de R$ 4,9 milhões.
14. Dal Barreto (União) — R$ 14,7 milhões | Candidato a deputado federal:
O deputado federal Dal Barreto (União Brasil) declarou patrimônio de R$ 14,73 milhões para as eleições de 2026, quase o dobro dos R$ 7,46 milhões declarados em 2022. Entre os bens, predominam participações societárias em empresas do setor de combustíveis espalhadas por diversos municípios da Bahia
Entre os maiores valores estão R$ 4,018 milhões em quotas da Barreto Participações Societárias Ltda., além de um empréstimo de R$ 1,1 milhão à empresa. A declaração também inclui participações em dezenas de postos e distribuidoras de combustíveis, além de terrenos destinados à construção de postos em municípios como Barreiras, Correntina, Cipó, Conceição da Feira e Nova Itarana. Também aparecem imóveis rurais e urbanos, aplicações financeiras e cerca de R$ 498,9 mil em plano da Brasilprev.
15. Paulo Magalhães (PSD) — R$ 13,5 milhões | Candidato a deputado federal:
Já deputado federal Paulo Magalhães (PSD) declarou patrimônio de R$ 13,58 milhões para a disputa de 2026. Veterano da política baiana, Magalhães está na Câmara dos Deputados desde 1999. A maior parte dos bens declarados está concentrada em imóveis rurais.
O patrimônio declarado em 2026 é inferior ao informado pelo parlamentar na eleição de 2022, segundo os valores apresentados. A declaração atual reúne fazendas, terrenos, imóveis, veículos, aeronaves e recursos bancários, com destaque para a concentração de patrimônio em propriedades rurais
Entre os principais ativos estão a Fazenda Iracema, avaliada em R$ 3,3 milhões; a Fazenda MC – Curral Novo, de R$ 1,75 milhão; uma aquisição da Fazenda MC, de R$ 1,8 milhão; além das fazendas Pindorama, de R$ 1,1 milhão, e Margarida, de R$ 1,5 milhão. A declaração também inclui um terreno em Porto Seguro avaliado em R$ 1,5 milhão, veículos e duas aeronaves.
16. João Carlos Bacelar (PL) — R$ 13,4 milhões | Candidato a deputado federal
Também busca a reeleição como deputado federal pela Bahia, João Carlos Bacelar (PL) declarou R$ 13,47 milhões em patrimônio para a disputa de 2026, ante cerca de R$ 9,9 milhões em 2022, um crescimento de aproximadamente 36%.
Entre os principais bens declarados estão R$ 6,36 milhões em ações, R$ 4,89 milhões em aporte para futuro aumento de capital e R$ 625,1 mil em cotas de sociedade. A relação inclui ainda uma aeronave avaliada em R$ 396 mil, aplicações financeiras, imóveis e terrenos em Salvador e Jandaíra, além de uma fazenda e um sítio.
17. Edvaldo da Reconcavo (PDT) — R$ 13,3 milhões | Candidato a deputado federal:
Edvaldo Souza dos Santos declarou R$ 13,34 milhões em bens em 2026. Empresário, foi candidato a prefeito de Santo Antônio de Jesus pelo O Democrata (na época, Partido da Mulher Brasileira), mas não foi eleito. Ele concentra a maior parte do patrimônio em participações empresariais, reservas para aumento de capital e recursos financeiros.
Em 2022, Edvaldo havia declarado R$ 10,12 milhões. O patrimônio informado em 2026, portanto, representa um aumento de aproximadamente R$ 3,22 milhões, ou 31,8%, em quatro anos.
Entre os principais bens estão R$ 5,7 milhões em quotas da Comercial Recôncavo de Combustíveis Ltda., R$ 2,97 milhões em reserva de crédito para aumento de capital da Distribuidora Recôncavo de Alimentos Ltda., R$ 1,67 milhão em recursos na Caixa Econômica Federal e R$ 1,52 milhão em quotas do Atacadão Recôncavo Ltda.
18. Edvaldo Brito (PSD) — R$ 12,5 milhões | 1º suplente do senador Jaques Wagner:
Ex-prefeito e ex-vereador de Salvador, o jurista Edvaldo Brito (PSD) declarou cerca de R$ 12,5 milhões em patrimônio. Reconhecido como um dos principais intelectuais do direito pela Universidade Federal da Bahia, Brito tem uma declaração concentrada em imóveis, recursos bancários e participações societárias.
Entre os maiores bens estão R$ 3 milhões depositados no Banco do Brasil, uma casa no Jardim Armação, em Salvador, avaliada em R$ 2,87 milhões, e uma casa no Rio Vermelho avaliada em R$ 915,7 mil. A declaração também inclui imóveis em Salvador, Vera Cruz, Lauro de Freitas, São Paulo e Rio de Janeiro.
O patrimônio inclui ainda apartamentos, terrenos, fazendas, veículos e R$ 35 mil em participação na sociedade Edvaldo Brito e Advogados Associados. Entre os veículos, aparece um BYD King GL, avaliado em R$ 149,8 mil.
19. Manuel Rocha (União) — R$ 12,2 milhões | Candidato a deputado federal:
Ex-prefeito de Coribe, advogado de formação e atual deputado estadual pelo União Brasil, Manuel Rocha declarou R$ 12,23 milhões em bens para a disputa de 2026. A declaração chama atenção pela forte concentração em investimentos financeiros, além de dois imóveis de alto valor em Salvador.
Entre os principais ativos estão um apartamento no Corredor da Vitória, avaliado em R$ 3,02 milhões; outro imóvel na Graça, de R$ 1,16 milhão; além de R$ 1,41 milhão em um fundo de investimentos da XP, R$ 1,33 milhão em letra de crédito imobiliário do Bradesco e R$ 1,08 milhão em saldo na XP Investimentos.
A carteira inclui ainda ações de Petrobras, Banco do Brasil, Vale e CVC, cotas de fundos imobiliários, CDBs, CRIs, CRAs, debêntures e previdência privada. Entre os maiores investimentos também aparecem R$ 691 mil em CDB do BTG Pactual e mais de R$ 700 mil somados em VGBLs do Banco do Brasil, XP e Bradesco.
20. Rogério Faedo (PL) — R$ 8,7 milhões | Candidato a deputado federal:
Produtor rural e empresário do setor agropecuário, Rogério Faedo (PL) declarou cerca de R$ 8,7 milhões em patrimônio para a disputa de 2026. Ele concorreu como vice-prefeito de Luís Eduardo Magalhães em 2016, mas foi derrotado. Sua declaração é marcada principalmente por consórcios, investimentos e propriedades rurais.
Entre os principais valores estão R$ 1,25 milhão em outros bens e direitos, uma carta de crédito de consórcio contemplado de R$ 485,6 mil, além de diversos consórcios Sicredi, Randon e New Holland. Entre elas, aparecem cotas de R$ 631,4 mil, R$ 631,1 mil, R$ 420,1 mil e R$ 417,8 mil. Também declarou R$ 259,2 mil em investimento automático no Sicredi e R$ 146,5 mil em conta capital da instituição.
No patrimônio imobiliário, Faedo declarou uma propriedade rural de 1,5 mil hectares em Barreiras, avaliada em R$ 345,3 mil, e outra área rural de 450 hectares no município, além de terrenos no Oeste baiano. O patrimônio é composto de um segmento de participações societárias que ultrapassa R$ 19,2 milhões. Entre elas, chama a atenção uma empresa de participações avaliada em R$ 17,37 milhões.
O levantamento mostra que o patrimônio declarado pelos 20 candidatos mais ricos da Bahia reúne perfis bastante distintos, que vão de empresários e produtores rurais a políticos com longa trajetória na vida pública. Entre os bens aparecem fazendas, terrenos, imóveis, participações societárias, aplicações financeiras, aeronaves, veículos e até recursos em espécie.
A lista elaborada dos vinte candidatos com maior patrimônio registrado em bens é composta totalmente por homens que, juntos, somam um patrimônio de R$ 601,7 milhões. Destaca-se que esses homens são, majoritariamente, brancos ou pardos, e apenas um nome se autodeclarou preto.


