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Policial civil movimentou R$ 6 bilhões com rede de fintech usada para lavagem de dinheiro do PCC

Cyllas Elia Junior, preso nesta terça-feira (25). • Reprodução/Redes sociais

O policial civil Cyllas Salerno Elia Júnior foi preso suspeito de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), por meio de uma rede de fintech que teria movimentado cerca de 6 bilhões de reais em ao menos 16 países, incluindo o Brasil. A informação consta em uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

 

De acordo com o documento obtido pelo site Metropóles, as transações financeiras passaram por países da Europa, América Latina, além dos Estados Unidos e da China. Segundo a Promotoria, o monitoramento foi interrompido no território chinês, dificultando a rastreabilidade dos valores.

 

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que o Ministério Público já esperava esse tipo de operação. “Não foi uma surpresa. Eles têm, na verdade, tentado dificultar a rastreabilidade de recursos com operações [financeiras] casadas, envolvendo não só outras contas, como outras instituições financeiras. Na China, isso perde toda a rastreabilidade”, explicou.

 

As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo MPSP identificaram que, nos últimos cinco anos, a fintech ligada ao policial movimentou cerca de R$ 6 bilhões.

 

Gakiya atribui o uso de fintechs por organizações criminosas a falhas na fiscalização. “O que nós estamos vendo hoje é um outro patamar, que atingiu o crime organizado, que se sofisticou nessa engenharia financeira de lavagem [de dinheiro], que começou lá atrás, utilizando doleiros no começo, até enterrando dinheiro nas casas-cofre, e hoje utilizando brechas legais e muito bem assessorados. Esses criminosos estão, definitivamente, operando no mercado financeiro formal”, afirmou o promotor.

 

FINTECHS

As fintechs são empresas que oferecem serviços financeiros por meio de plataformas on-line e se transformaram no novo esconderijo do dinheiro do crime organizado, que lucra com o tráfico de drogas, como o PCC, e é o caso de empresários que fogem de dívidas e impostos e até mesmo de casas de apostas envolvidas em esquemas de lavagem.

 

O promotor Fábio Bechara disse nesta terça-feira (25) que “os novos meios de pagamentos substituíram o papel de doleiros”, que ganharam fama nos últimos anos ao serem presos por lavar e esconder dinheiro dos grandes escândalos de corrupção no Brasil.