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“A cor da pele não tem que ter diferença de oportunidade”, diz Thiancle Araújo em Festival de Cultura Negra de Castro Alves

Thiancle Araújo – Foto: Eduardo Dias | Ag. A TARDE

A Consciência Negra, celebrada nesta quinta-feira (20, feriado), representa a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social. A data marca a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade, visto que as gerações de afro-brasileiros que sucederam à época de escravidão sofreram de diversos níveis de preconceito.

Esta data foi escolhida por ter sido o dia da morte do líder negro Zumbi, que lutou contra a escravidão no Nordeste. Zumbi dos Palmares, nascido livre num quilombo (povoado formado por escravos fugidos), lutou até a morte para defender seu povo contra a escravidão.

É por esse motivo que a cidade de Castro Alves está realizando o II Festival de Cultura Negra, que começou no governo do então prefeito e atual superintendente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Thiancle Araújo. Para o ex-prefeito, o Festival de Cultura Negra é uma oportunidade de fazer com que as pessoas possam refletir sobre a necessidade de atitudes antirracistas e viver num país onde a cor de pele não demonstre diferença de oportunidades.

“Estamos em um país ainda estruturalmente racista e que a população negra tem muito menos oportunidade, sofre muito mais discriminação. Então é importante momentos como esse para que a gente possa refletir e fazer as pessoas refletirem sobre a necessidade de atitudes antirracistas para que a gente possa viver um país, uma sociedade realmente em que a cor da pele não tenha qualquer diferença de oportunidade para as pessoas,” afirmou Thiancle.

A declaração foi dada durante entrevista ao repórter Leonardo Valente, do Blog do Valente, na noite desta quarta-feira (19).

“O poder público precisa, como o nosso Estado Democrático de Direito diz, é um regime laico. Precisa respeitar todos e defender que todos tenham o direito de professar sua fé da forma que entenderem devida. É fé. Então cabe ao poder público garantir isso e garantir mais condições ainda para que as pessoas possam se proteger daqueles que ainda insistem em ser preconceituosos, insistem em não respeitar essa questão,” complementou Thiancle.

Mais sobre Zumbi dos Palmares

Da escravidão, Zumbi só conhecia as terríveis histórias que os mais velhos estavam sempre contando. Eles lembravam a morte no porão dos navios, a escuridão das senzalas, o trabalho forçado e os castigos sofridos.

O Quilombo dos Palmares estava situado numa longa faixa de terra de 200 quilômetros de largura. Estava paralelo à costa, situado entre o cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e a parte norte do curso superior do rio São Francisco, hoje no estado de Alagoas.

Numa das batalhas entre os colonos portugueses e o Quilombo, Zumbi foi morto. Como era costume na época, seu corpo ficou exposto em praça pública para servir de exemplo para que ninguém tentasse ir contra os colonizadores. Mesmo assim, seu exemplo de luta foi passando de geração em geração e ele acabou sendo escolhido como herói para o povo negro brasileiro.