
O coordenador da 5ª Coorpin, José Raimundo Nery Pinto, detalhou, em entrevista à Rádio Valença FM, os desdobramentos da investigação que resultou na prisão preventiva do médico Enéas Silva, envolvido em um grave acidente de trânsito ocorrido no dia 23 de janeiro, no município de Valença.
De acordo com o coordenador, o médico era considerado foragido e foi localizado e preso em Salvador, após trabalho de inteligência e cooperação entre equipes do interior e da capital. Segundo ele, desde a data do acidente, a Polícia Civil da Bahia adotou providências imediatas, com a instauração do inquérito policial e a requisição de perícias técnicas, incluindo exames de necropsia e levantamento pericial no local do acidente, com o objetivo de apurar responsabilidades.
Durante a perícia realizada no veículo conduzido pelo médico, foram identificados elementos considerados relevantes para a investigação. Conforme relatado, os peritos encontraram uma garrafa de vinho e tampas de cerveja no interior do automóvel. O laudo pericial foi elaborado de forma célere pela Polícia Técnica, trabalho que, segundo o coordenador da Coorpin, contribuiu de maneira decisiva para a elucidação inicial do caso.
No decorrer da apuração, testemunhas também foram ouvidas. Segundo os depoimentos colhidos, havia indícios de que o médico poderia ter ingerido bebida alcoólica, em razão do estado em que se encontrava após o acidente.
Ainda conforme José Raimundo Nery Pinto, a Polícia Civil solicitou apoio do delegado titular de Santo Antônio de Jesus para a realização de diligência na unidade hospitalar onde o médico estava internado e se preparava para passar por procedimento cirúrgico. No entanto, de acordo com o relato, familiares do investigado não autorizaram a coleta de sangue para a realização do exame de alcoolemia, informação que foi registrada oficialmente no relatório policial.
Com base nas provas iniciais, especialmente no laudo pericial, a autoridade policial concluiu que o caso extrapolava a hipótese de culpa, sendo enquadrado como dolo eventual, afastando a tese de culpa consciente. Diante desse entendimento, foi representado pelo pedido de prisão preventiva, que acabou sendo decretado pela 1ª Vara Crime de Valença.
Após a decretação da prisão, equipes policiais realizaram diligências no hospital e na residência do médico, mas ele não foi localizado. Posteriormente, as investigações indicaram que o investigado estaria na casa de uma irmã, no bairro de Pituaçu, onde, com apoio de policiais da capital, foi dado cumprimento ao mandado de prisão.
Depois de ser submetido a exame de corpo de delito, o médico foi apresentado à Polinter, onde permanece custodiado. Segundo a Polícia Civil, estão em andamento as tratativas para a transferência do preso para Valença, onde deverá passar por audiência de custódia. Caberá ao Judiciário decidir se ele permanecerá preso ou responderá ao processo em liberdade.
O coordenador informou ainda que a próxima etapa do caso ficará a cargo do Ministério Público, que deverá analisar o inquérito e adotar as medidas cabíveis. O trabalho investigativo ficou sob responsabilidade da Polícia Judiciária de Valença, com apoio de equipes de Santo Antônio de Jesus e Salvador.
Imagem: arte/reprodução


