
A delegada da Polícia Civil do Pará, Maria Virgínia Grimwood Pinto, foi presa nesta quinta-feira (15), em Brasília, suspeita de repassar informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu durante a Operação Sinalagma, coordenada pela Polícia Civil de Pernambuco.
Segundo o Ministério Público do Pará (MPPA), a investigação apura uma possível ligação entre a delegada e Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado pelas autoridades como uma das lideranças do PCC na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral pernambucano.
De acordo com o MPPA, a policial é suspeita de receber vantagens financeiras indevidas para fornecer informações restritas e favorecer integrantes da organização criminosa. As suspeitas são investigadas no âmbito de uma apuração que envolve possíveis crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.
A operação desta quinta-feira conta com o apoio das polícias civis do Pará e de São Paulo, além de órgãos de inteligência e do Ministério Público. Ao todo, estão previstos três mandados de prisão, 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de medidas de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. As ordens judiciais foram autorizadas pela Vara Criminal da Comarca de Ipojuca, em Pernambuco.
Buscas foram realizadas na residência e no gabinete
Em Belém, capital do Pará, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência da delegada e no gabinete que ela ocupava na Divisão de Polícia Administrativa (DPA), localizada na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Pará, acompanha o caso há cerca de seis meses e colaborou na elaboração de documentos investigativos e pedidos judiciais.
Investigação apura lavagem de dinheiro
Além do possível repasse de informações sigilosas, as autoridades investigam indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A apuração busca esclarecer se documentos falsos, empresas e contas bancárias de terceiros teriam sido utilizados para movimentar recursos e ocultar a origem dos valores.
As investigações incluem a análise de dados telemáticos, informações de inteligência e Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O caso teve início em janeiro de 2025, a partir de ações de inteligência voltadas à identificação de lideranças de organizações criminosas com atuação em Pernambuco. Com o avanço das diligências, os investigadores passaram a apurar possíveis conexões em outros estados e a participação de agentes públicos.
Renato Henrique do Carmo, o “Gordão”, foi preso em janeiro de 2025, durante as investigações que deram origem à Operação Sinalagma. A partir da prisão, as diligências avançaram sobre possíveis conexões da organização criminosa com outras pessoas.
Segundo o MPPA, as condutas atribuídas à delegada podem configurar, em tese, crimes de corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa, entre outras infrações.
Até a publicação das informações, a defesa dos envolvidos não havia sido localizada. O espaço permanece aberto para manifestações.


