
A direção do Centro de Recuperação Aprisco se pronunciou nesta quarta-feira (29) sobre a morte de Sivaldo Rebouças, registrada na unidade em Santo Antônio de Jesus. Em entrevista o diretor da instituição, pastor Reinaldo, e a técnica de enfermagem Thaís Lisboa afirmaram que o paciente chegou ao local já apresentando escoriações pelo corpo e negaram que as lesões tenham ocorrido durante o período em que esteve internado.
Segundo Thaís Lisboa, Sivaldo foi admitido no centro no último sábado (25), por volta das 10h30, com diversos hematomas e sinais de agressão. Ela informou que, durante a triagem, a equipe questionou os familiares sobre as marcas encontradas no corpo do paciente.
“No ato do atendimento, foi perguntado à família sobre aqueles hematomas que ele apresentava. Algumas marcas já estavam aparentes e outras ainda em vermelhidão. A família relatou que ele havia passado por um atendimento hospitalar porque estava com a pressão muito alta e que aquelas marcas já existiam”, explicou.
Ainda de acordo com a técnica de enfermagem, a família informou que Sivaldo havia permanecido um período desaparecido antes de ser localizado e encaminhado para atendimento médico. Segundo ela, o paciente chegou ao Aprisco sem conseguir caminhar ou se comunicar normalmente.
“Ele chegou sem falar, sem andar e sem estar orientado. Nós precisávamos carregá-lo. Apenas ontem pela manhã ele conseguiu responder algumas perguntas, informou o nome, a idade e disse que morava na Rádio Clube”, relatou.
A direção da instituição afirmou que toda a condição física do paciente foi registrada em vídeo no momento da admissão. Segundo o pastor Reinaldo, esse procedimento é adotado para documentar o estado em que os internos chegam ao centro.
“Nós fazemos vídeos mostrando como a pessoa chega. Temos registros dele no momento da entrada e também depois, quando já estava conversando e dizia que estava sendo bem tratado. Todo esse material já foi entregue às autoridades responsáveis pela investigação.”
O diretor informou ainda que, após a avaliação inicial, foi solicitada uma consulta médica e acompanhamento psiquiátrico para Sivaldo, já que, segundo a instituição, ele apresentava histórico de transtornos psiquiátricos e uso de substâncias psicoativas.
Questionado sobre a frequência com que pessoas chegam ao centro com lesões, o pastor afirmou que casos semelhantes têm ocorrido devido ao perfil dos pacientes atendidos.
“Hoje o mal do século são as drogas. Muitas pessoas chegam em situação de surto, trazidas por ambulâncias ou com marcas pelo corpo. Por isso contamos com profissionais de saúde todos os dias e mantemos parceria com a Clínica São Marcos para atendimento psiquiátrico.”
Sobre a morte de Sivaldo, a equipe informou que o paciente passou mal durante a rotina de acompanhamento na manhã desta quarta-feira (29). Segundo a técnica de enfermagem, os primeiros atendimentos foram iniciados imediatamente e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado.
A direção explicou que a intenção era encaminhá-lo para uma unidade de saúde, mas o quadro evoluiu rapidamente.
“Foi prestado todo o atendimento e entramos em contato com o SAMU. Quando a equipe chegou, o óbito foi constatado”, afirmou o pastor Reinaldo.
Após a confirmação da morte, policiais e peritos estiveram no Centro de Recuperação Aprisco para realizar os procedimentos legais. O caso segue sob investigação, que deverá esclarecer as circunstâncias da morte e a origem das lesões apresentadas por Sivaldo antes da internação.


