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Dono de ferro-velho dificultou entrada da polícia no momento da prisão

Veja o momento da prisão de Marcelo Batista (de camisa rosa) Crédito: Divulgação

A prisão de Marcelo Batista da Silva, investigado pelo duplo homicídio de seus funcionários, não foi uma tarefa fácil. O empresário foi detido nesta terça-feira (26) no bairro de Pirajá, em Salvador, no ferro-velho onde Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento, 24, e Matusalém Lima Muniz, 25, foram vistos pela última vez, há nove meses. Em coletiva de imprensa, o delegado Vítor Spinola detalhou como foi a prisão de Marcelo.

Segundo ele, o empresário criou estratégias para dificultar a entrada da polícia no ferro-velho. “Haviam um grades, o portão era bastante reforçado, o que dificultou a nossa entrada. Adentramos ao ferro velho, e ele, juntamente com mais outros indivíduos, estava escondido em um terceiro pavimento, criado como esconderijo”, contou o delegado.

Apesar da dificuldade em encontrá-lo, Marcelo Batista não reagiu à prisão. “Os policiais perceberam que a mobília estava desalinhada no pavimento, o que indicou que o local havia sido mexido. Ao levantar um armário, foi possível visualizar ele [Marcelo] e outros dois indivíduos”, completou o delegado Vítor Spinola.

“Ele não reagiu e foi conduzido ao Departamento [de Homicídios e de Proteção à Pessoa], onde foi interrogado e está a disposição da Justiça”, explicou. Marcelo Batista passará por audiência de custódia na quarta-feira (27). O empresário foi preso por suspeita de participação na tentativa de execução de três pessoas. O episódio aconteceu um dia antes do desaparecimento de Paulo Daniel e Matusalém, em novembro de 2024.

Matusalém e Paulo Daniel desapareceram em novembro de 2024 por Reprodução

O empresário estava submetido à medidas cautelares desde junho deste ano, quando se entregou à polícia após passar sete meses foragido.Os ex-funcionários desapareceram após saírem de suas casas para trabalhar no ferro-velho. Antes de serem vistos pela última vez, eles foram acusados pelo dono do empreendimento por furto de alumínio. A suspeita de que estava sendo roubado também teria motivado a tentativa de execução das outras três pessoas.

Relembre o caso

Os ex-funcionários Paulo Daniel e Matusalém Silva desapareceram após saírem de suas casas para trabalhar no ferro-velho de Marcelo Batista, localizado no bairro de Pirajá. Antes de desaparecerem, eles foram acusados pelo dono do empreendimento por furto de alumínio. Considerado suspeito dos assassinatos, o empresário foi procurado pela polícia durante sete meses.

Familiares dos dois jovens contaram ao CORREIO que ambos começaram a trabalhar no local três semanas antes de desaparecer. O trabalho, no entanto, não tinha vínculo empregatício formal e os dois nunca tinham comentado sobre situações de violência envolvendo o dono da empresa. A única reclamação era sobre as condições de trabalho.

Quatro dias depois do desaparecimento dos funcionários, a polícia entrou no ferro-velho para procurá-los após cães farejadores indicarem que Paulo Daniel estava no local antes de desaparecer. Três dias depois das buscas, a Polícia Civil pediu a prisão de Marcelo e a fuga do empresário foi iniciada. Em janeiro, pelo menos dois policiais militares foram presos acusados de envolvimento no desaparecimento e morte dos funcionários.

Marcelo Batista responde a ao menos nove processos que estão em tramitação na Justiça do Trabalho. Outros 60 foram arquivados. As acusações abordam descumprimento de pagamento de salário, horas extras, assédio sexual e tortura. Os crimes teriam sido cometidos dentro do estabelecimento em Pirajá.