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‘Eu não era presidente quando Moraes foi indicado para o STF’, diz Lula ao responder críticas de Flávio Bolsonaro

Fotos: Podcast DL Show / Antonio Cruz / Agência Brasil

Em meio aos desdobramentos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (16), que não teve participação na indicação do ministro Alexandre de Moraes para a Corte. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast DL Show.

 

As falas ocorreram um dia após uma sessão marcada por discussões entre ministros do STF e em meio à repercussão da campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem associado Lula a Moraes ao criticar a atuação do magistrado. O candidato Bolsonaro é investigado na corte e a crise pode favorecer sua campanha durante a disputa eleitoral. 

 

“Ontem meu adversário gravou vídeo falando de Alexandre de Moraes. Essa apuração da Suprema Corte vai descobrir o que aconteceu no banco Master. Eles montaram a quadrilha do INSS e nós tivemos que desmontar. Eu não era presidente quando Moraes foi indicado […]. Ele era senador, deve ter votado, portanto ele é culpado”, rebate o presidente. 

 

Vale contextualizar que Flávio Bolsonaro foi eleito senador pelo PSL apenas em 2018. Quando Alexandre de Moraes foi sabatinado e teve sua indicação aprovada pelo Senado Federal, em fevereiro de 2017, o atual candidato da oposição exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), sem ocupar uma vaga no Legislativo federal.

 

Dessa forma, Flávio não participou da sabatina nem da votação que confirmou Moraes para o STF. Durante a entrevista, Lula rebateu as críticas feitas ao ministro e atribuiu a insatisfação de Flávio Bolsonaro a decisões tomadas por Moraes em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro e ao caso Marielle Franco.

 

“A raiva dele [Flávio] com o Alexandre Moraes é que o Alexandre de Moraes mandou prender quem matou Marielle [Franco]. A bronca dele é que Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de Janeiro”, criticou o presidente.

 

Registro dos candidatos | Fotos: Podcast DL Show / Instagram via @flaviobolsonaro
Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, Lula destacou que Moraes foi indicado ao STF em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB). O ministro assumiu a vaga aberta com a morte de Teori Zavascki, ou seja, saía da pasta de segurança pública do presidente da época para assumir uma cadeira na mais alta corte. 

 

“Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, alega Moraes sobre o julgamento marcado na corte.

 

RESPOSTA PARA FLÁVIO
Na entrevista, Lula afirmou que as críticas feitas por Flávio Bolsonaro a Moraes não estariam relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master, mas sim a decisões judiciais proferidas pelo ministro. Ao comentar o tema, o presidente questionou os recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

“Ele tem que explicar cadê os R$ 130 milhões que pegou do Vorcaro. Foi R$ 130 milhões para fazer o filme. Como ele explica? Cadê esse dinheiro? Flávio tem que explicar os R$ 130 milhões que pegou do Vorcaro para fazer um filme mequetrefe sobre o seu pai”, questiona Lula.

 

Lula elogiou a atuação de Moraes em processos relacionados à tentativa de golpe de Estado e sua condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022. Na ocasião, Moraes atuou em decisões envolvendo a disseminação de informações falsas sobre o sistema eleitoral e determinou medidas contra aliados do então presidente Jair Bolsonaro.

 

O presidente ainda comentou uma peça da propaganda eleitoral que faz referência ao que o senador classifica como “escândalo do Alexandre de Moraes” Em resposta, Lula mencionou investigações que apuram repasses de recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse.

 

As investigações apuram a negociação de recursos para a produção cinematográfica. Segundo informações já divulgadas pela imprensa após o áudio revelado pelo The Intercept Brasil, o valor previsto para o projeto era de R$ 134 milhões, dos quais US$ 12,3 milhões teriam sido repassados por Vorcaro.

 

“Ninguém aguenta mais o Lula, ninguém aguenta mais 4 anos do atual governo, ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo, melando o Brasil, atrapalhando a nossa democracia”, dispara o opositor em agenda de campanha.

 

Flávio Bolsonaro admite ter se reunido com Vorcaro no fim de 2025, quando o empresário cumpria prisão domiciliar. O senador afirma que o encontro tratou da conclusão da captação de recursos para o filme e sustenta que os valores obtidos tiveram origem em “financiamento privado”, isso sem considerar as emendas parlamentares de aliados que são investigadas pela Polícia Federal.