
Dois anos após o assassinato de Anderson Santos, a família, moradora de Santo Antônio de Jesus, segue cobrando uma resposta da Justiça e relatando a sensação de impunidade em relação ao caso, que deverá ser levado a júri popular, mas ainda não tem data definida. O crime ocorreu no município de Valença, e o tema voltou a ser debatido em entrevista concedida pela tia da vítima, Edvânia Carvalho dos Santos, ao radialista Leo Valente.
Durante a entrevista, Edvânia relembrou que, no início, a família acreditava que Anderson estivesse apenas desaparecido. “A gente tinha a esperança de que ele voltasse”, afirmou. Dias depois, os familiares foram informados de que o corpo já estava havia cerca de uma semana no Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Valença, o que agravou ainda mais o sofrimento.
Segundo Edvânia, à época do crime, a Polícia Civil prendeu Aleph de Jesus e Hércules Silva de Assis, apontados como responsáveis pelo sequestro e assassinato. No entanto, cerca de nove meses após a prisão, os dois foram colocados em liberdade.
“Foram punidos e em nove meses foram liberados, como se nada tivesse acontecido. A dor pra família é saber que até hoje eles estão soltos”, disse.
A família informou que foi comunicada de que o processo deverá seguir para júri popular, mas até o momento não há previsão para o julgamento. “A Justiça é muito lenta. A gente quer uma resposta”, afirmou Edvânia. Segundo ela, os familiares seguem buscando informações por conta própria, sem acompanhamento direto de advogado ou do Ministério Público.
Ainda conforme relatado na entrevista, Anderson mantinha uma relação de amizade com os acusados. Ele teria comprado dois celulares deles, um para uso próprio e outro para a esposa, além de ter participado de gravações para divulgação dos aparelhos.
“Ele confiava neles. Foi muita covardia”, afirmou a tia.
Outro ponto citado foi a situação do carro de Anderson, que, segundo a família, teria sido vendido pelos acusados após o crime. O veículo foi recuperado pela polícia, mas permanece apreendido e sob responsabilidade da Justiça, sem devolução à família após dois anos.
Edvânia também levantou a suspeita de que o crime possa ter relação com interesses financeiros. Anderson havia recebido uma indenização ligada ao movimento 11 de Dezembro, referente à explosão em uma fábrica de fogos ocorrida em Santo Antônio de Jesus, tragédia que vitimou dezenas de pessoas, incluindo a mãe dele.
“Isso despertou o olho e o interesse deles”, afirmou.
A tia relatou ainda que, desde o assassinato, datas como Natal e Ano Novo deixaram de ser momentos de celebração para a família. “Enquanto outras famílias comemoram, para a gente é uma data que acabou”, disseram os familiares. Segundo eles, enquanto não houver uma resposta da Justiça, o sentimento de dor permanece.
De acordo com a família, imagens de câmeras de segurança e outros registros que teriam flagrado Anderson antes do crime fazem parte do processo e estão sob responsabilidade da Justiça.
Ao final da entrevista, o radialista Leo Valente destacou que o espaço segue aberto para manifestações da defesa dos acusados e de autoridades responsáveis pelo caso, e que continuará buscando informações junto ao Ministério Público e ao Judiciário.
“Não vai trazer o Anderson de volta, mas pode ajudar a diminuir a dor da família”, concluiu Edvânia, ao pedir que o caso não seja esquecido.


