
Na série especial pelos 146 anos de emancipação política de Santo Antônio de Jesus, um som atravessa gerações e continua emocionando moradores da cidade: o das tradicionais filarmônicas. Mais do que instrumentos e partituras, as filarmônicas Amantes da Lira e Carlos Gomes carregam a memória cultural e ajudam a preservar a identidade histórica do município.
A Sociedade Filarmônica Amantes da Lira, considerada a mais antiga da cidade, existe desde 1904. Ao longo de mais de um século, a instituição formou músicos, participou de momentos históricos e marcou presença em festas religiosas, cívicas e culturais de Santo Antônio de Jesus.
Segundo o maestro da Amantes da Lira, Elber Melo, a filarmônica foi fundada por importantes nomes da época, entre eles Antônio Sóter Barros e Samuel Canoa, que também participou da fundação da Filarmônica Carlos Gomes.
Outro destaque da Amantes da Lira é o trabalho social desenvolvido gratuitamente desde a fundação. As aulas de música, instrumentos e acessórios sempre foram oferecidos sem custos para crianças e jovens da cidade.
A filarmônica também revelou talentos que ganharam projeção nacional, como o professor e pós-doutor em música Almir Cortes, além de músicos que hoje integram orquestras e acompanham artistas renomados pelo Brasil.
Além da formação musical, a instituição acumula participações em festivais, apresentações em procissões, desfiles cívicos e eventos culturais em diversas cidades baianas.
Já a Filarmônica Carlos Gomes, fundada em 5 de agosto de 1919, também possui papel fundamental na construção da tradição musical do município. A entidade desenvolve um trabalho voltado para inclusão social através da música, oferecendo aulas gratuitas de teclado, bateria, instrumentos de sopro, teoria musical e musicalização infantil.
De acordo com o regente da Carlos Gomes, Marcus Vinícius, o projeto atende crianças, adolescentes e jovens, preparando novas gerações de músicos para manter viva a tradição das bandas filarmônicas no Recôncavo Baiano.
Representantes da Carlos Gomes lembram ainda do processo de reconstrução da instituição, que enfrentou dificuldades durante anos, chegando a ficar sem instrumentos e sem participar dos desfiles cívicos. Hoje, a filarmônica voltou a desfilar e segue fortalecida com novos instrumentos, estrutura renovada e apoio da comunidade.
Nas comemorações pelos 146 anos de Santo Antônio de Jesus, revisitar a história das filarmônicas é reconhecer o papel da música na formação cultural da cidade. Mais do que tocar dobrados e marchas, Amantes da Lira e Carlos Gomes seguem afinando a memória e preservando a identidade do povo santantoniense.
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Por: Sandro Almeida
Foto: Claudio Ferrary


