
Um homem de 49 anos viajou mais de 2 mil quilômetros, passou dois dias em um ônibus e chegou a Belo Horizonte, em Minas Gerais, acreditando que encontraria uma mulher por quem havia se apaixonado pela internet. Ao chegar à cidade, descobriu que a pessoa com quem conversava nas redes sociais não existe na vida real: o perfil era de uma personagem criada por inteligência artificial (IA).
O homem saiu de Imperatriz, no Maranhão, para conhecer Jéssica Oliveira, também chamada de Jéssica Fazendeira. O perfil da suposta mulher reúne mais de 300 mil seguidores e apresenta imagens, voz e mensagens que dão aparência de realidade à personagem.
Nas conversas privadas, a personagem dizia procurar um homem de verdade e prometia ajudá-lo. Como não chegou a transferir dinheiro, o homem acreditava que não estava sendo vítima de um golpe.
A situação mudou quando ele chegou a Belo Horizonte e mostrou fotos da mulher a várias pessoas. Ninguém a reconheceu, e ele percebeu que havia sido enganado.
Sem ter para onde ir na capital mineira, o homem recebeu apoio da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele teve acesso a banho, alimentação e atendimento no Centro de Referência para Migrantes.
Posteriormente, foi encaminhado de volta a Augustinópolis, no Tocantins, município onde nasceu e para onde desejava retornar.
Pedreiro e afastado do trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele relatou estar muito triste com o ocorrido.
A história chama a atenção para os riscos de perfis falsos produzidos com inteligência artificial. Imagens realistas, vozes sintéticas e conversas personalizadas podem criar a impressão de que existe uma pessoa verdadeira por trás da conta.
Mesmo quando não há transferência de dinheiro, situações como essa podem provocar sofrimento emocional e prejuízos pessoais. Por isso, verificar a identidade de pessoas conhecidas pela internet é uma medida importante antes de tomar decisões que envolvam viagens, relacionamentos ou dinheiro.


