
Menos de 24 horas depois de ter sido proclamado vencedor do segundo turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já deu início às articulações políticas para garantir sua governabilidade no Congresso Nacional. Lula se reuniu no final da tarde desta segunda-feira (26) com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e pode vir a anunciar, nos próximos dias, seu apoio à reeleição de ambos.
Diante do cenário de maior presença de parlamentares de direita no Congresso, principalmente no Senado, o presidente Lula já estaria apressando as articulações para frear o avanço bolsonarista e atrair rapidamente os partidos do chamado centrão. A preocupação no Palácio do Planalto é que o presidente Lula enfrente uma oposição fortalecida em seu novo mandato.
O PL elegeu 121 deputados e 19 senadores. Contando os senadores que ainda possuem quatro anos de mandato, o principal partido de oposição teria, a partir de fevereiro do ano que vem, uma bancada de 29 senadores, o que poderia inclusive garantir ao PL a presidência do Senado.
Lula, entretanto, em sua aproximação com Alcolumbre e Hugo Motta, já busca isolar o PL para eliminar a possibilidade de o partido assumir a presidência de alguma das Casas. O PL já tenta inclusive convencer a senadora Tereza Cristina (PP-MS) a abrir mão de sua candidatura para unir forças com Rogério Marinho (PL-RN), que foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Entretanto, antes mesmo da discussão de uma aliança com o PL, a senadora Tereza Cristina já viu o seu partido lhe fechar as portas, ao anunciar, na tarde desta terça, o apoio à reeleição de Alcolumbre. O anúncio do PP foi feito em parceria com o União Brasil.
Em meio ao desafio de reagrupar ao seu lado partidos que anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, o encontro desta segunda, que gerou uma fotografia com Lula, Alcolumbre e Motta de mãos dadas, sinaliza uma união que pode garantir ao governo petista uma maioria de mais de 350 votos na Câmara e cerca de 50 no Senado.
SITUAÇÃO NA CÂMARA
Em 14 de outubro, antes mesmo do segundo turno, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e a federação PSDB-Cidadania anunciaram a manutenção de um bloco parlamentar com 245 deputados na próxima legislatura. O grupo também declarou apoio à tentativa de reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara.
Ainda ao lado do presidente Lula estão os deputados do PT e de outros partidos de esquerda e centro-esquerda. O PT, por exemplo, terá uma bancada de 70 deputados, a segunda maior da Câmara. Esses partidos governistas também já disseram que vão apoiar a reeleição de Hugo Motta em 2027.
Nesse agrupamento, há ainda o PSB com 15 deputados, o Psol com 14, o PCdoB com 11, o PV com 7, PDT com 6, Avante com 5 e Rede com 1. O total da bancada de esquerda e centro-esquerda chega a 129 parlamentares.
O grupo de oposição na Câmara conta com os 121 deputados do PL, os dez do Novo, os cinco do PRD e um do Missão. O Solidariedade, com dois deputados, também pode ser somado a essa conta, que chega a um total de 139 deputados.
Em resumo, a nova legislatura que toma posse na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2027 teria a formação de três blocos claros, divididos da seguinte forma:
Bloco governista
- PT – 70
- PSB – 15
- Psol – 14
- PCdoB – 11
- PV – 7
- PDT – 6
- Avante – 5
- Rede – 1
- Total: 129 deputados
Bloco do centrão
- União Brasil – 46
- PSD – 43
- PP – 41
- Republicanos – 41
- MDB – 36
- Podemos – 27
- PSDB – 11
- Total: 245 deputados
Bloco da oposição
- PL – 121
- Novo – 10
- PRD – 5
- Solidariedade – 2
- Missão – 1
- Total: 139 deputados
Veja mapa de projeção de composição da casa baixa:
SITUAÇÃO DO SENADO
Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), relatam à imprensa que ele teria garantido, na reunião com Lula e Hugo Motta no Palácio da Alvorada, que já teria mais do que os 41 votos necessários para se reeleger a um novo mandato em fevereiro de 2027. Na conversa com Lula, Alcolumbre teria afirmado ter condições de derrotar “qualquer nome” lançado pela oposição para concorrer com ele.
Desde o final do primeiro turno, em 4 de outubro, Davi Alcolumbre já teria começado a entrar em contato com senadores eleitos, tanto para cumprimentar pela vitória como para negociar gabinetes em boa localização.
Apesar do otimismo, Davi Alcolumbre deve enfrentar um terreno hostil no próximo ano. Derrotado na disputa presidencial, o PL terá a maior bancada, e passou a tratar como inegociável o lançamento de uma candidatura própria, com o senador Rogério Marinho (PL-RN) colocado como favorito para concorrer contra Alcolumbre.
No Senado, assim como na Câmara, há três blocos que podem ser separados: partidos de oposição, governistas e do centrão. Pelos números de cada bloco, o próximo presidente do Senado será aquele que conseguir atrair maior quantidade de apoios em meio ao centrão.
Confira abaixo o tamanho de cada bloco para a próxima legislatura do Senado:
Bloco governista
- PT – 10
- PSB – 4
- Rede – 1
- PDT – 1
- Total: 16 senadores
Bloco do centrão
- MDB – 8
- PP – 6
- União Brasil – 5
- Republicanos – 5
- PSD – 4
- Podemos – 2
- Total: 30 senadores
Bloco de oposição
- PL – 29
- Novo – 3
- PSDB – 2
- Total: 34 senadores
- Sem partido – 1
Romário, que era do PL, não tem posição definida sobre o lado que defenderá na próxima legislatura.
Confira a composição da casa:


