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Mães de casal morto no Mutum, em SAJ, cobram justiça e denunciam ameaças e agressões

Foto: Reprodução

As mães de Luís Gabriel Sales Santos e Vanusa Ramos da Silva dos Santos, vítimas de um duplo homicídio ocorrido no último domingo (23), no bairro Mutum, em Santo Antônio de Jesus, concederam entrevista para nossa equipe e relataram detalhes do crime, além de cobrarem providências das autoridades. O principal suspeito, identificado como George Álvaro dos Santos, não foi localizado. A família dele alega legítima defesa. Ele também foi exonerado de um cargo na Câmara Municipal.

Durante a entrevista, Maria da Conceição, mãe de Vanusa, afirmou que o crime foi resultado de uma série de conflitos anteriores e denúncias que, segundo ela, não foram devidamente apuradas.

“Essa situação começou há um tempo. No dia 21 de janeiro, tentaram contra a vida da minha filha e da minha sobrinha. A gente registrou queixa, foi várias vezes na delegacia, mas eles continuaram com ameaças, xingamentos, e não deu em nada”, declarou. Neste dia, Maria foi atingida por golpes de faca.

Segundo ela, no dia do crime, recebeu a notícia enquanto estava fora de casa.

“Quando cheguei na esquina, encontrei minha filha e meu genro caídos no chão. Ele foi atingido por tiros, e quando ela foi abraçar ele, deram três tiros nela. Depois ainda deram uma paulada. Não precisava dessa crueldade”, relatou.

A mãe destacou que a filha deixou duas crianças.

“Minha filha era uma pessoa de bem, técnica de enfermagem, tinha sonhos. Deixou duas filhas, de cinco e sete anos. Agora eu pergunto: como vão ficar minhas netas?”, questionou.

Maria também contestou a versão de legítima defesa.

“Falam em legítima defesa, mas meu genro estava de bermuda, sem camisa, desarmado. Minha filha também não tinha nada. Eles foram mortos sem chance de defesa”, afirmou.

Ela ainda relatou que já havia sido vítima de agressão anteriormente.

“No dia 21 de janeiro, eu levei uma facada tentando defender minha filha. Cheguei na delegacia toda ensanguentada. Mesmo assim, nada foi resolvido”, disse.

A mãe de Vanusa também acusou um grupo familiar de perseguição.

“Eles vieram em grupo, com paus e facões. Isso não foi de agora. Já tinha histórico de agressões e ameaças”, pontuou.

Já Ivonete, mãe de Luís Gabriel, reforçou que o filho vinha sendo ameaçado e pensava em deixar o bairro.

“Eu dizia pra ele sair de lá. Ele me disse no domingo: ‘mãe, eu vou sair, mas não vou sair fugido, porque não devo nada’. Infelizmente, não deu tempo”, lamentou.

Ela também afirmou que o filho e a nora eram bem vistos pela comunidade.

“Quem conhecia eles sabe que eram pessoas boas. A população está mostrando isso, pedindo justiça”, disse.

Ivonete ainda revelou que Vanusa estava grávida.

“Ela ia fazer dois meses de gestação. Só descobri no enterro. Foram três vidas perdidas”, declarou.

As mães também criticaram a atuação das autoridades diante das denúncias anteriores.

“Se a polícia tivesse agido antes, nada disso teria acontecido. A gente veio aqui várias vezes, pediu ajuda, mas não fomos ouvidos”, afirmou Maria.

Outro ponto levantado foi o medo de moradores em colaborar com as investigações.

“Tem câmeras que registraram o crime, mas as pessoas têm medo de entregar as imagens. Todo mundo tem medo dessa família”, disse.

Durante a entrevista, as duas também questionaram a alegação de proteção por parte de terceiros e pediram apuração rigorosa do caso.

“A gente só quer justiça. Não queremos vingança, queremos que a lei seja cumprida”, afirmou Ivonete.

Ao final, Maria fez um apelo emocionado.

“Eu não vou fazer justiça com minhas mãos. Vou esperar a justiça dos homens. Se não vier, a de Deus. Mas isso não pode ficar impune”, concluiu.

Moradores protestam

Um dia após o crime, na manhã desta segunda-feira (23), moradores atearam fogo em um imóvel de propriedade ligada a George. Durante a tarde, atearam fogo contra carros e outros imóveis ligados ao acusado.  blogdovalente