Bahia na Web

Meta admite falha que permitiu criação de material de campanha para Flávio Bolsonaro e bloqueou pedidos para Lula

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Carlos Moura/Agência Senado/Divulgação

A Meta reconheceu que uma falha em sua ferramenta de inteligência artificial permitiu a geração de imagens de campanha relacionadas a Flávio Bolsonaro (PL), enquanto solicitações semelhantes em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) eram bloqueadas. A empresa afirmou que o problema ocorreu em 14 de outubro e foi corrigido no mesmo dia.

Em resposta ao caso revelado pelo UOL, a empresa negou que tenha agido por motivação política e atribuiu a diferença de resultados a uma lacuna nos mecanismos de proteção da Meta AI, ferramenta disponível no WhatsApp.

Segundo a empresa, o sistema bloqueava comandos que mencionavam diretamente os nomes dos candidatos, como “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro”. No entanto, nem sempre identificava referências a candidatos quando um primeiro nome comum era combinado com o número eleitoral.

Com isso, alguns pedidos que utilizavam o nome “Flávio” associado ao número 22 conseguiam gerar imagens de cartazes. A mesma falha também permitia, em determinadas situações, a criação de imagens com o nome “Luiz” e o número 13, relacionado a Lula.

A Meta explicou que bloquear isoladamente nomes comuns, como Flávio e Luiz, poderia impedir solicitações cotidianas sem relação com política. A empresa afirmou que corrigiu a vulnerabilidade no próprio dia em que o problema foi identificado.

Em nota, a companhia declarou que não toma partido nas eleições e classificou como falsas e infundadas as acusações de favorecimento ou interferência em benefício de candidatos ou grupos políticos.

Conta de anúncios de Lula também foi desativada 

A empresa também reconheceu que a conta de anúncios da campanha de Lula ficou desativada por pouco mais de uma hora, em 23 de setembro. Segundo a Meta, a medida ocorreu por engano durante uma análise de combate a fraudes.

De acordo com a explicação apresentada, um anúncio foi classificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo, o que levou à desativação temporária. A companhia negou que a ocorrência tivesse motivação política.

Empresa critica regras brasileiras para conteúdo digital

Na mesma manifestação, a Meta afirmou que as regras brasileiras para conteúdo digital aumentam o risco de aplicação excessiva das medidas de moderação e podem ameaçar a liberdade de expressão.

A empresa argumentou que, desde 2025, as normas ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdos e anúncios produzidos por terceiros.

O episódio ocorre em meio ao debate sobre a atuação das redes sociais e das ferramentas de inteligência artificial durante a campanha eleitoral de 2026. A diferença de respostas da Meta AI a pedidos semelhantes envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro foi revelada inicialmente pelo UOL e gerou questionamentos sobre a aplicação das regras eleitorais pelas plataformas.