
Com a chegada dos períodos mais frios e o aumento dos casos de doenças respiratórias, muitas pessoas ainda têm dificuldade para diferenciar condições como gripe, resfriado, rinite e sinusite. Para esclarecer as principais características de cada quadro, especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) destacaram os sintomas, as formas de tratamento e os cuidados necessários para evitar complicações.
De acordo com o pneumologista Clystenes Odyr Soares Silva, a gripe é uma das doenças respiratórias mais relevantes da história da humanidade. Causada pelo vírus influenza, ela está associada a grandes epidemias registradas ao longo dos séculos. “A gripe espanhola matou 40 milhões de pessoas”, ressaltou o especialista ao lembrar ainda de surtos como a gripe asiática e a gripe suína.
Segundo ele, a gripe se diferencia por provocar febre alta e sintomas mais intensos. “Quem tem gripe tem febre, e é febre mesmo, 38,5 ou 39 graus”, explicou. Além da temperatura elevada, o paciente costuma apresentar dores musculares, dores nas articulações, dor de cabeça e forte sensação de indisposição, o que frequentemente o obriga a permanecer em repouso.
Já a rinite possui uma origem diferente. Ao contrário da gripe e do resfriado, a condição não é causada por vírus, mas sim por reações alérgicas. Os sintomas mais comuns incluem espirros frequentes, coriza e congestão nasal, muitas vezes desencadeados por mudanças climáticas, poeira ou outros agentes alergênicos. Com bom humor, o médico observou que “o melhor serviço de meteorologia é o nariz de quem tem rinite”.
A sinusite, também conhecida como rinossinusite, geralmente começa após uma infecção viral que provoca obstrução dos canais responsáveis pela drenagem dos seios da face. O bloqueio favorece o acúmulo de secreções, causando desconforto, pressão facial e dificuldade para respirar.
Os especialistas alertam que, na maioria dos casos, não há necessidade de antibióticos nos primeiros dias da doença. Conforme explicou Clystenes, especialistas em otorrinolaringologia recomendam aguardar entre oito e dez dias de evolução dos sintomas antes de considerar esse tipo de medicamento. Inicialmente, o tratamento costuma envolver descongestionantes e lavagem das vias respiratórias.
Quando a sinusite evolui para um quadro bacteriano, podem surgir sinais mais específicos, como secreção esverdeada, dor intensa na face e piora dos sintomas ao abaixar a cabeça. Nesses casos, a utilização de antibióticos pode ser indicada após avaliação médica.
O pneumologista também reforçou a importância de evitar a automedicação. Segundo ele, o uso inadequado de antibióticos em infecções virais não traz benefícios ao paciente e contribui para o avanço da resistência bacteriana, um dos principais desafios enfrentados atualmente pela medicina.


